| HISTÓRIAS DO H8 | |||||||||||||
| O GÁRGULA DO H8 | |||||||||||||
| 12/09/05 | |||||||||||||
| Eu posso errar em alguns detalhes, mas certamente não tirará¡ o teor surreal do acontecido. Na turma 92 tinha um cara alto e ruivo, de cabelos lisos, que pela sua aparência, tinha, já, dos tempos de cursinho, o apelido de Spiga. Quando eu o conheci ele estava careca. Lembro que ele era muito brincalhão, mas ao mesmo tempo muito introspectivo. Sei lá¡ sobre o que ele tanto filosofava. O fato é que ele gostava de escalar o muro dos fundos do H8 (que parecia convidar para isso, já que era feito de blocos vazados) e ficar no alto do telhado do alojamento, empoleirado durante horas, observando o matagal. Num certo dia, creio que num domingo, o H8 praticamente vazio, ele resolveu acordar cedo para suas reflexões. Estava lá ele bancando o gárgula, usando uma peruca loira de mechas cacheadas, quando passaram dois garotos de bicicleta e pararam bem debaixo dele. Ele ficou ouvindo a conversa dos meninos que apontavam para o muro e diziam coisas que cansamos de ouvir como: aí só dá louco,dizem que é tudo bitolado, ou, meu primo me contou que... Dizem que o Spiga ficou imóvel e em silêncio só ouvindo as histórias. Num dado momento um dos garotos viu aquela figura que pairava sobre eles e cutucou o outro enquanto apontava para cima. Creio que se passaram alguns intermináveis segundos em que os garotos tentavam descobrir se aquilo era uma pessoa ou uma estátua. O Spiga, então, deliciando-se com a expressão de pavor naqueles rostos inocentes, levantou os braços e soltou um grito que fez os meninos dispararem aos tropeços com suas bicicletas. deve ter sido interessante observá-los correr até sumirem. Imagino as histórias que foram contadas no colégio em que eles estudavam... se é que algum dia eles voltaram para o CTA. Rafael Bertozzo Duarte T-92 SITE |
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